Um irmão e uma irmã descobrem um ritual aterrorizante na casa isolada de sua nova mãe adotiva.
Não há nada mais perigoso e apavorante do que o desespero humano, e “Traga Ela de Volta” explora com maestria o horror que reside nele. Por isso, o longa dos diretores Danny Philippou e Michael Philippou triunfa ao tirar o protagonismo do sobrenatural e utilizá-lo como ferramenta de expressão.

Aqui, o medo da morte do corpo dá lugar ao medo da perda. Seja representado pela figura do irmão super-protetor cuja maior preocupação é o bem estar e segurança da irmã (e não a sua), ou na obstinação de Laura em erradicar o sofrimento do luto e da culpa. Por isso, o filme triunfa quando decide deixar os aspectos místicos e ocultos da trama quase em segundo plano e enfatiza o macabro que pode nascer da dor humana levada às últimas consequências.
Nada disso se sustentaria sem um elenco principal consistente, com destaque especial ao novato Jonah Wren Phillips e a veterana Sally Hawkins, que entrega a melhor atuação de sua carreira. As atuações, a direção controlada, a atmosfera claustrofóbica, a tensão crescente, a atenção aos detalhes e o roteiro redondo fazem desse terror um drama extremamente humano e um dos melhores do ano. Filmaço. Toranja!


