🎞️ Direção: Oliver Laxe
🌎 Países: Espanha e França
🕰️ Duração: 114 minutos
📅 Disponível na @mostrasp
Pai e filho chegam a uma rave nas montanhas do sul do Marrocos. Ambos estão em busca de Mar — filha e irmã —, que desapareceu meses antes em uma dessas festas intermináveis no deserto. Conforme avançam por esse cenário escaldante, a jornada os obriga a confrontar seus próprios limites.
Sirat é na verdade uma experiência. Para além da narrativa, da racionalidade ou das respostas, a questão aqui é o sentir, o refletir e o imaginar.

Sobre Sirat
“Mais estreito do que um fio de cabelo, mais afiado do que uma espada.” Se essa é a definição dessa ponte metafórica personificada pelo deserto, ela acaba sendo, na verdade, uma definição para a vida e o mundo, para a dificuldade que é viver e sobreviver em um estado de conflito intermitente.
E o deserto aqui é o personagem principal de tudo isso e o fio condutor dessa história. Ao passo que ele dá afeto, entrega uma distração e enxerga no próximo uma família daqueles que estão no mesmo barco, ele tira – e como tira. Ele é vil, impiedoso e não volta atrás. E isso pode ser uma forma de se enxergar esse espaço físico (ou metafísico), mas também os caminhos que seguimos.
Talvez a palavra que melhor defina essa experiência seja choque. O choque de presenciar uma coisa diferente e tão profunda mesmo sem precisar em momento algum ser verborragica. Mas ainda mais o choque pelo encontro com o inesperado, com a quebra de expectativa.
Nessa primeira visita a Sirat, saio emocionado, triste, sem esperança, mas ao mesmo tempo, é meio que uma faca de dois gumes. Se nos entregarmos ao deserto por completo, de olhos fechados, sem pensar muito, talvez a jornada seja muito diferente do que ela pode parecer.
Uma joia do cinema europeu e do cinema de 2025. Uma obra que deve perdurar e mudar, conforme passar o tempo e conforme mudarmos o nosso olhar.



