Do Que as Mulheres Gostam (What Women Want) – 2000

Após sobreviver a um grave acidente, Nick Marshall, um executivo machista que trabalha em Chicago, misteriosamente passa a ter o dom de ler os pensamentos das mulheres. Inicialmente ele usa este novo poder para agradar sua chefe, mas aos poucos começa a conhecer melhor a intimidade das mulheres e começa a mudar seu estilo de vida.

Um retrato de sua época sobre um mercado majoritariamente masculino, ainda mais nos Estados Unidos.

É um pouco complicado desassociar alguns pensamentos para analisar esse longa. Imagino que à época a história de Meyers realmente tivesse um peso mais progressista proveniente do fato de contar com um olhar feminino em sua realização, mas algumas coisas são meio esquisitas.

Ao inverter expectativas e entregar, na teoria, o poder da publicidade na mão das mulheres, a narrativa tem um começo bastante interessante e bem-humorado. As piadas funcionam e as situações bizarras escancaram como o olhar machista da sociedade é calcado em conceitos tão ingênuos e bobos. Basicamente, aqui o homem pode ser um herói por fazer o mínimo.

E é aí que entra a minha questão. A história romantiza esse tal homem diferente, que tem escuta ativa e sensibilidade, mas, para isso, usa as personagens femininas apenas como escada para que tudo isso aconteça.

Veja, Mel Gibson está muito bem, carismático e divertido, mas Helen Hunt acaba tendo um papel discreto demais para a importância que carrega, sendo muitas vezes invisibilizada por um homem roubando o seu lugar de fala. 

É realmente conflitante, pois acho o longa uma experiência prazerosa, na medida do possível, mas não consigo ver um desenvolvimento tão interessante assim – mesmo para a época. Para as comédias românticas da virada do milênio, ainda acho que essa traz mais coisas boas do que ruins. E talvez o melhor seja realmente a criatividade nessa inversão de papéis e de um mecanismo como o encontrado para que Gibson realmente entenda as mulheres.

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