Ron, um vigarista de marca maior, está de olho em sua próxima vítima, a viúva Betty que vale milhões. Mas, ao longo do tempo em que eles passam juntos, o que deveria ser apenas mais um golpe, torna-se um jogo de gato e rato valiosíssimo que ameaça expor segredos e mentiras.
Como destruir um filme em seu clímax?
O projeto em si me transmitia bastante simpatia. Colocar Helen Mirren e Ian McKellen juntos em uma rede de mentiras, aparências e muito carisma chamou a minha atenção logo de cara. Mas a execução…
A narrativa começa com muito mais altos do que baixos. Enquanto conhecemos a dupla, suas motivações e hábitos, é plantada a sementinha da dúvida sobre o nome do projeto. Por mais que não seja nada difícil entender quem é o “The Good Liar”, é até um pouco divertido tentar adivinhar o que vai acontecer e quando.
No cair dos panos, quando a verdade começa a surgir, os problemas chegam sem pedir licença. Antes o filme leve, engraçadinho e divertido vai ganhando contornos mais violentos e ameaçadores, flertando um pouco com filmes de máfia.
Mas a minha grande questão está no malabarismo narrativo que é feito para pesar a mão nesse moralismo estranho que o realizador escolhe colocar no projeto. Dava para fazer uma história de mentiras e mentirosos sem precisar vilanizar tanto assim, de forma pesada e cheia de gatilhos, em uma história que vinha adotando um caráter mais leve.
Talvez no livro o desenvolvimento faça mais sentido e pareça menos abrupto, mas aqui essas escolhas estragaram bastante a experiência para mim.
De toda forma, legal ver Mirren e McKellen contracenando em uma história que foge um pouco dos padrões ao colocar 2 idosos no epicentro desse emaranhado de situações, crimes e segredos.


