Em uma América distópica e alternativa governada por um regime totalitário, 50 adolescentes participam de uma competição anual de caminhada mortal, forçados a manter um ritmo mínimo ou serão executados, até que apenas um sobreviva.
Curioso que uma obra escrita nos anos 1960 e que criticava a convocação de jovens para a guerra do Vietnã consiga refletir tanto a realidade hoje.
A Longa Marcha consegue trazer várias camadas em coisas simples, seja na imagem de famílias à beira da estrada ou curtos diálogos que levantam reflexões importantes sobre formas de se ver a vida.
Mas é no lado técnico que o filme se destaca, ao conseguir colocar o espectador junto com aqueles jovens, sentindo todo o sofrimento deles, se apegando a cada um em pouco minutos. O som dos passos, o barulho dos tanques e outros elementos sonoros ajudam a ressaltar esse ambiente opressor.
E não tem como não falar das atuações, em especial da dupla David Jonsson e Cooper Hoffman, que se destaca do começo ao fim. Mas mesmo outros papéis menores conseguem atenção mesmo com pouco tempo de tela.
A decepção maior fica com o major, que fica mais como uma sombra sobre os garotos, já que, apesar de ser tratado como a personificação de todo mal, aparece pouco e não é muito explorado pelo roteiro.
A Longa Marcha, no fim, é muito mais um drama do que um terror, ainda que fique claro esse horror de mundo que os garotos vivem (e nós também). Nada mais Stephen King que isso.


