Quatro garotas que se conheceram num grupo on-line de estudos de bruxaria resolvem participar de um ritual durante um eclipse solar total, na casa de uma famosa bruxa chamada Rea.
A grande questão aqui, para mim, não é a presença da originalidade ou a falta dela. A narrativa, que apresenta quatro personagens que são aspirantes a bruxa indo para uma cabana na floresta para conhecer a sua mentora, acaba partindo muito rapidamente para a verborragia ao invés de mostrar para o público – e deixar que ele tire as suas próprias conclusões – o que realmente quer dizer.
Todas as suas viradas, sejam na história, nas motivações ou nas personalidades, não são desenvolvidas, elas são ditas (e muitas vezes gritadas) pelas atrizes que, infelizmente, tem pouco com o que trabalhar. No começo, eu até me perguntei se esse longa era algum tipo de sequência, pois todas dizem e agem como se já tivessem se visto antes, mas o texto não sustenta isso em momento algum. Ele precisa que você escute o que ele tem a dizer e acredite, mas para mim isso não cola.
Falando em atrizes, os destaques absolutos acabam sendo Klara Castanho e Ângela Dip, as mais sóbrias e pé no chão, que realmente sabem construir essas camadas tão necessárias para uma história que depende tanto dos personagens.
As demais, para além de um desenvolvimento fraco, acabam recorrendo a atuações mais físicas e vocais para tentar convencer – e nossa, colocar uma influenciadora estreante no cinema para viver, pasmem, uma influenciadora unidimensional, cujo único traço é realmente ser uma influenciadora, não me parece uma ideia que seja lá muito boa.
De todo modo, sempre bom ver filmes de gênero feitos por aqui e que se preocupam tanto com seu visual e seu clima. A maquiagem e os efeitos práticos são realmente interessantes e ajudam nessa construção de uma história cheia de segredos e um tom mais sombrio. Uma pena que o texto seja raso e não consiga, em momento algum, convencer.


