O Passageiro (The Commuter) – 2018

Durante o seu trajeto usual de volta para casa, um vendedor de seguros é forçado por uma estranha misteriosa a descobrir a identidade de um dos passageiros do trem em que se encontra antes da última parada. Com a rotina quebrada, o homem se encontra no meio de uma conspiração criminosa

Mais um longa de ação delicioso com a marca e controle de cena de Collet-Serra, um dos diretores contemporâneos que tem trabalhado de forma mais interessante o gênero.

O mais precioso aqui é notar a construção minuciosa e certeira do início do filme. O realizador consegue contar tudo que o espectador precisa saber, com cenas ágeis e curtas que são um retrato do cotidiano no capitalismo. Mas, para além disso, ele consegue construir todo o microcosmos do trem e de seus passageiros de forma engajante.

Inclusive, o grande vilão aqui é o sistema que escraviza o trabalhador por décadas para depois descartá-lo sem mais nem menos, deixando dívidas, contas e problemas, varrendo seus sonhos para debaixo do tapete. E todo esse comentário político-social é feito sem precisar de uma frase explícita sobre isso. A crítica está lá, não só nas entrelinhas, mas de forma escancarada.

E muito bom acompanhar mais um filme de ação de Neeson, ator que virou um símbolo do gênero por sua fisicalidade e voz grossa e imponente que já é um marco. E aqui ele está cercado de rostinhos conhecidos para abrilhantar ainda mais essa jornada aflitiva e claustrofóbica em um trem em constante movimento.

Talvez a trama de conspiração que motiva tudo seja mirabolante demais e até um pouquinho complicada sem necessidade em alguns momentos, mas isso é o de menos. Seu papel como vetor da ação e das consequências já é mais do que suficiente.

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