Quando uma adolescente é vítima de tráfico sexual, um pirata fluvial e uma mãe corajosa embarcam em jornadas paralelas para encontrá-la, até que seus caminhos se cruzam.
Pssica é uma série extremamente pesada. Não poderia ser diferente, afinal, o tema central da produção é tráfico sexual no Norte do Brasil, o que traz à tela histórias sobre pobreza, exploração e injustiça. Mas ela não é apenas isso, ela consegue ir além e extrapolar temas, trazendo algo horrível, tanto na estética quanto na forma que a história é contada.
Os elementos visuais, sonoros e conceituais da série são colocados de maneira eficiente para construir um cenário de opressão para uma garota que precisa lidar com as consequências de algo que não foi culpa dela. A tensão é bem distribuída e construída ao longo da história, fazendo com que tudo o que acontece tenha o mesmo eixo e que as histórias paralelas ajudem a dar força ao enredo central, naturalmente despertando a curiosidade de quem assiste.
O elenco parece ter sido escolhido a dedo e cumpre papéis primordiais para gerar sentimentos diversos nos espectadores, seja de empatia por quem está em uma situação de exploração, ou de indignação pelo opressor. O roteiro ajuda a dar força, mas é interessante como os cenários e escolhas de locação dão um tom mais natural e contextualizado, trazendo o público para dentro do contexto brasileiro, sem amenizar, o que dá à história mais força.
Para finalizar, o último episódio é especialmente bonito, principalmente pelas cenas finais. As escolhas, que são detalhes dentro de um mundo de coisas que acontecem dentro da história, fazem com que exista reflexão para além do tema do tráfico sexual, que já é brutal, violento e triste. Aqui as implicâncias de tudo isso está na vida de quem está ao redor dessas mulheres que sofrem esse tipo de violência e isso aumenta a camada de dramaticidade.
Considero que Pssica é a melhor produção original brasileira da Netflix.


