Pelos sete anos em que esteve preso, o psicopata e assassino Earl Blake investigou cada palmo da vida de Nick Styles, o policial responsável por colocá-lo na cadeia. Agora, após forjar sua própria morte e escapar da penitenciária, ele está pronto para executar sua vingança.
Uma história de vingança que deflagra a crueldade humana motivada por um ego ferido.
Esse não é um filme policial padrão. Temos aqui muito mais uma história de antagonistas, diametralmente opostos mas ligados pelo fio condutor do destino. O policial vivido por Denzel teve uma ascensão meteórica em sua carreira depois de prender o assassino vivido por Lithgow. Talvez a única similaridade entre eles seja o desejo de crescer em suas linhas de negócio, muitas vezes independentemente das consequências.
Outro ponto bem alto aqui é a atuação da dupla, que consegue entregar muito bem esses dois opostos que acabam se completando nessa jornada que permanece por muito tempo incompleta. O oficial vivido por Denzel é bonachão, carismático e ulta-confiante, sempre pronto para dar uma tirada certeira e bem-humorada enquanto aparece para as câmeras. O bandido de Lithgow é mal por natureza, impiedoso, ameaçador e realmente faz o público temer frente à sua próxima crueldade.
E essa história de gato e rato, que muda constantemente quem é quem, ainda existe em meio à um plano de vingança mirabolante, com alguns furos e conveniências, é verdade, mas que consegue entreter pela curiosidade de saber como tudo isso irá se costurar.
Acho que a narrativa acaba abrindo muitas portas e é incapaz de atar alguns nós nessa megalomania que foge um bocado do controle, mas existe sim um certo tom coeso em dar vida à uma história policial extremamente violenta e que foge dos principais clichês enquanto comenta uma vingança motivada por fatores raciais, colocando em combate o ego ferido de um bandido branco e o sucesso “ameaçador” de um policial negro.


