Slow Horses: 1ª Temporada (2022)

Uma equipe disfuncional de agentes da MI5 navega os mistérios e ilusões do mundo da espionagem para proteger a Inglaterra de forças sinistras.

Em um lugar especial entre as produções de espionagem com orçamentos gordurosos, missões glamorosas e cenas de ação explosivas e os dramas mais realistas e sisudos, brilha Slow Horses: uma série sóbria e cativante.

Descentralizada da ação, a série usa a divisão de “renegados” do MI5 para abordar o lado mais burocrático, político e disfuncional do serviço secreto britânico. Crítica às estruturas de poder de uma instituição cuja maior ameaça é sempre o fracasso, a premissa permite explorar o modus operandi dos líderes da agência: o aparente menosprezo por seus subordinados que são tratados como descartáveis e uma imoralidade cancerígena que apenas a ganância é capaz de criar.

Em contraponto, Jackson Lamb surge como um anti-herói. À primeira vista, o chefe dos chamados “pangarés” se apresenta deliberadamente como desleixado, sujo, cínico e desdenhoso. A própria personificação do desencanto com as instituições. No entanto, em vez de buscar reformar o sistema, Lamb escolhe enfrentá-lo por dentro, utilizando sua astúcia incomum e sua influência como ferramenta de persuasão. É um personagem que, quase sempre, está um passo à frente dos demais e, à medida que a trama se desenrola, revela-se, ironicamente, como o único que parece se importar com os subordinados. Característica que o torna um personagem paradoxal: ao mesmo tempo repugnante e magnético.

É na sua relação com os demais personagens que reside a força dramática da narrativa. Os coadjuvantes, especialmente os integrantes da divisão Slow Horses, desmistificam a figura do espião infalível. São as suas falhas e motivações baseadas em culpa, ambição, desejo de redenção e necessidade de pertencimento que conferem à obra o caráter mais humanizado e verossímil.

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