Hank Thompson era um fenômeno do beisebol no colégio, mas agora vive uma vida sem muitas emoções. Quando seu vizinho, Russ, pede que ele cuide de seu gato por alguns dias, Hank de repente se vê no meio de uma turma nada convencional de gângsteres ameaçadores.
Entre yuppies, punk rock, uma cidade em crescimento (desordenado), mafiosos com um bom timing cômico e um gato.
Esse é o filme de Aronofsky que menos parece ter sido dirigido por ele – e isso é ótimo. Claro que ainda é possível notar um tom pessimista e situações caóticas, violentas e visualmente sujas, como em grande parte de seus longas, mas existe um tom mais solar e bem-humorado aqui em meio à tudo isso.
E se tudo funciona, é graças a Austin Butler, que leva a narrativa nas costas enquanto vai descascando cada uma das complexas camadas de sua persona. Um jovem frustrado, que carrega uma culpa pesadíssima e tem problemas com bebidas. Ao mesmo tempo, um amigo leal, um namorado fofo e uma pessoa que realmente ama os animais e a família.
Outro ponto central aqui, que tinha tudo para dar errado mas encontra uma saída em meio ao caos, é a veia cômica do texto. Existe, sim, uma porção gigantesca de violência, física e temática, mas algumas tiradas engraçadas – e por vezes inesperadas – equilibram essa balança e fazem o filme ter esse tom mais perto do ameno.
O estrelado elenco de apoio também funciona bem e ajuda nessa coletânea de personagens opostos, mas com a mesma e muito bem definida motivação. Existem algumas soluções mais fáceis aqui e ali, mas esse é um longa que traz um vigor diferente para uma filmografia que já parecia muito bem definida em suas regras e restrições.
E todo o paralelo do time de beisebol com a vida do protagonista, compartilhando seus poucos altos e muitos baixos, acaba sendo um toque especial para uma história que diz bem mais do que pode parecer. Uma boa surpresa.


